sábado, 14 de Novembro de 2009

Mattila's Tosca



No Expresso de hoje, 14 de Novembro, Calado - Mor disserta sobre a opening night do Met, de 21 de Setembro, ossia a Tosca de Bondy. Dois meses volvidos sobre o acontecimento, pergunto-me se o dito artigo mantém alguma actualidade e pertinência?!

Adiante! O dito Calado desdenha a mise-en-scène, como era de prever. Estará no seu direito.

Termina o Caladíssimo com uma errónea notícia, que quase desencadeou uma síncope neste escriba: a reprise desta Tosca contará com a aposentada Daniella Dessi no papel titular. Temi o pior, pois há muito que adquiri entradas para Abril que, de acordo com o site do Met, contará com a fabulosa Mattila como Floria Tosca.

Num ápice, fui o dito site... Calado dos Calados está errado! É verdade que Dessi interpretará a heroína de Puccini, mas apenas nas últimas quatro récitas.

My Mattila será a MINHA Tosca ;-)D)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

A Banalidade



No panorama lírico – particularmente no tocante ao tenor lato senso (ligeiro, lírico e lirico-spinto), a América Latina tem sido uma referência incontornável. Para além dos extraordinários Alva e Lima, Flórez, Villazón, Vargas e Álvarez têm vindo a conquistar terreno, neutralizando toda a concorrência. De entre os mencionados, Álvarez sobressai como o maior tenor spinto da actualidade: Verdi assenta-lhe que nem uma luva!


Há uns bons dez anos, na Bastilha, Marcelo Álvarez deslumbrou-me com o seu Duque (Rigoletto). Adivinhei-lhe um futuro verdiano, mais na linha do spinto – Radames, Otello, Manrico, Rodolfo, etc.


O presente artigo constitui uma colectânea de árias verdianas, cujo denominador comum assenta, justamente, no spinto. Dir-se-ia que a dita colectânea foi construída à imagem dos dotes do tenor argentino…


Álvarez possui um timbre encorpado e heróico, pujante e amplo, contudo as fragilidades técnicas são indisfarçáveis: tendência para o fortissimo e pianissimi inseguros. As suas interpretações não ultrapassam a fasquia do banal, enfermando de falta de subtileza e lirismo, elegância e linhagem. A brutalidade e dilaceração, demandadas pelo epílogo de Otello, tendem a estender-se às demais incarnações, tornando-as algo desinteressantes e excessivamente afins, sem matizes de natureza alguma.


No panorama verdiano discográfico, onde Del Monaco Bergonzi, Vickers e Domingo se destacam, Álvarez dilui-se, sendo incapaz de sair do anonimato.


É bem verdade que este tenor não encontra rival à sua altura, neste repertório – Licitra parece ter perecido, liricamente falando… Contudo, quando comparado com os seus antecessores, Álvarez constitui uma mera curiosidade.

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(3/5)

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Os Troianos de Valência


(ensaio geral de Os Troianos, Valência - Palau de les Arts, Novembro de 2009)

O "dedinho" dos catalães La Fura dels Baus nunca me levou à certa. Será a vertente iconoclasta dos senhores a que mais me repugna. Às vezes, acho-os pouco mais que crus ou primitivos.

Em matéria de encenação operática, os La Fura têm feito história, reconheço: La Damnation de Faust (Salzburgo) e Der Ring (Valência).

No Palau de les Arts de Valência, Berlioz foi levado à cena pelos catalães e dirigido por Gergiev. Eis a crítica deste Os Troianos:

«Valencia apuesta por la operascope, el espectáculo de gran formato, acorde con el gigantismo de la Ciudad de las Artes y las Ciencias. A la Tetralogía wagneriana del verano ha seguido ahora el estreno de Los troyanos, inaugurando la tercera temporada del ovni que Calatrava plantó en el lecho del Turia. De nuevo para dirigir este montaje se ha recurrido a la más galáctica de nuestras compañías, La Fura dels Baus, sección Carlus Pedrissa, que está que se sale de la estratosfera: próximamente tiene cita en la Scala con un Tannhäuser dirigido por Mehta. Es decir, que el gran formato no es una exclusiva valenciana, sino una estrategia de mercado: cada vez más los montajes líricos nacen digitalizados para su posterior comercialización en las pantallas. Lo cual es legítimo siempre que no se ahogue el directo en la sopa tecnológica.

La traslación de la Eneida berliozana al mundo de la astronáutica no crea mayores problemas: finalmente las epopeyas antiguas y las de la ciencia-ficción se tocan en la común distancia del presente. Pero siendo el espacio, de 2001 a Alien, el principal referente estético, no es el único: hay también mucha alusión a la pantalla de ordenador, al cómic y hasta a los muñequitos de Playmobil. La obra permite esta operación, pues está concebida como una sucesión de números cerrados, muy al gusto de la grand opéra de mediados del XIX. Arias, dúos, tríos, quintetos, octetos, enormes escenas corales, interludios orquestales, cuadros coreográficos: no hay combinación que se le resista al gran orquestador Berlioz, superior a Wagner en esto, aunque ciertamente inferior como compositor dramático. El tercer acto de Los troyanos pega un bajonazo obvio y el montaje se resiente de la deficiencia estructural: hay cuadros de una enorme intensidad y belleza, como el de la matanza de las mujeres troyanas o el del palacio de Dido, que recuerda a un acelerador de partículas, junto con otros más discutibles, como el campamento de tiendas Decathlon de los troyanos o unos números coreográficos francamente pobres. Pedrissa provocó alguna contestación al final. Poca cosa, pues a esa hora, pasada la una de la madrugada, se habían registrado notables deserciones en la sala.


Bad, bad boy!



Terfel é o maior e melhor cantor lírico do mundo actual. Uma voz de mil cores, com uma pujança e homogeneidade de registos sem paralelo. Teatralmente é um sonho. Discograficamente... nem tanto...

Desde o início do milénio, os registos discográficos de Terfel praticamente deixaram de frequentar a minha casa: entre o musical de gosto duvidoso e a melodia inglesa desinteressantíssima... Enfim!

O mais recente disco de Terfel - a que aqui fiz referência - não foge à regra do musical, mas promete momentos de brilho (Boito e Mozart).

A seu tempo, pronunciar-me-ei! Por ora, mantenho-me expectante.









terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Em degustação...



sábado, 31 de Outubro de 2009

Vitalidade é...



... um espaço consagrado à lírica suscitar sistematicamente comentários, por ocasião de cada post colocado ;-D)

A FIL GUD...

Disse-me um passarinho que, em breve, contaremos com...






quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Pontualmente Interessante


(DECCA 478 1533)


Renée Fleming retorna ao Verismo italiano, depois de um tour - que dura há cerca de 20 anos - por inúmeros outros territórios da lírica: barroco, classicismo, romantismo, bel canto, etc. Com maior ou menor sucesso, a intérprete americana pode gabar-se de ter visitado e experimentado um repertório amplo, mesmo que apenas discograficamente.


Fleming possui a mais bela voz de soprano lírico desde o ocaso de Te Kanawa e Studer. Que não haja dúvida. O timbre é de ouro, fino, magro e elegante, de uma graciosidade sem paralelo. A coloratura não lhe é totalmente estranha, razão pela qual triunfa nas ricas e ornamentadas passagens do bel canto (italiano, sobretudo). Mas não há bela sem senão: Fleming é uma actriz razoável, sendo uma intérprete banal, no tocante aos registos audio, note-se!


O presente registo obedece à lógica que a DECCA e Fleming traçaram, desde há tempos idos: alargar o repertório lírico, estendendo-o a todos os territórios, nunca repetindo interpretações (da própria).

A produção é cuidadosa, como sempre, exibindo uma cinquentona esbelta e elegante, muito retocada pelo dedo milagroso do PhotoShop.

Dado que Renée foi esgotando o mainstream da ópera, pouco lhe vai restando registar. Seria interessante que nos presenteasse com o Wagner lírico-dramático ou com o Verdi tardio (para além de Otello), mas enfim...
Dos meus desejos falo eu!

A verdade é que, no presente artigo, o soprano americano nos brinda com um Verismo mal amanhado, por vezes de segunda água, apesar de alguns pilares puccinianos - La Bohème, Manon Lescaut e Turandot. Há premières e rarely recorded arias; há sim senhor... E não é por acaso que só agora se perpetuam discograficamente: sem ponta de graça e desinteressantes, o tempo encarregou-se de as apagar - Iris e Landoletta (Mascagni), a par de La Bohème (Leoncavallo), Gloria (Cilea), etc.

Em regra, Fleming pouco vai além da banalidade interpretativa. Refugia-se numa voz belíssima, sobreinvestindo os formalismos, onde permanece espantosamente fresca e segura.

Contudo, destaco três momentos de inegável beleza: Zazá, pela espessura e eloquência dramáticas, Conchita, que transpira segurança pirotécnica, e Fedora, cuja interpretação e arrojo dilaceram os mais incrédulos...

Pelos momentos citados e timbre de ouro, sobretudo.

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(3,5/5)

Disse-me um passarinho...



... que está para muito breve a chegada desta pérola wagneriana!

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Renée & Cecilia


(Renée Fleming)

Fleming e Bartoli são duas das mais extraordinárias cantoras líricas da actualidade.

Salvo erro, actuaram juntas em As Bodas de Fígaro, no Met, em finais dos anos 1990. Terfel foi o Fígaro dessa produção. Segundo rezam as crónicas, o trio proporcionou um espectáculo mítico. Consta que o teatro ia indo a baixo, depois de Bartoli interpretar Deh vieni non tardar...

Fleming deve ser a melhor Condessa desde Te Kanawa e Terfel o Fígaro absoluto...

A notícia que abaixo cito destaca os últimos registos discográficos das duas divas.

«(...) Long evident in their discographies, these attributes shine again in their latest recordings, both for Decca. Ms. Fleming’s “Verismo” and Ms. Bartoli’s “Sacrificium” are like graduate seminars dressed up as recitals.

Ms. Fleming, 50, recalls the advice given her by Herbert Breslin, who masterminded Luciano Pavarotti’s career. “ ‘You won’t make it if you don’t sing bread-and-butter Italian opera,’ he told me,” Ms. Fleming said in a recent telephone interview. “I was constantly being pushed toward a European ideal of what it means to be a classical or opera singer, let’s say in the Renata Tebaldi mode. I reject that. I’m American. I’m eclectic. I’m going to follow my musical passions. And if people don’t like it, and it hurts my legacy, I’m not going to worry about that.”

The late 19th century and the first quarter of the 20th have proved particularly congenial to Ms. Fleming’s gifts. In 2006 she surveyed that period on “Homage: The Age of the Diva,” recorded in St. Petersburg, Russia, with Valery Gergiev leading the Orchestra of the Maryinsky Theater. Inspired by historic recordings of stars like Mary Garden, Maria Jeritza, Rosa Ponselle, Emmy Destinn and Lotte Lehmann, the program included a sprinkling of favorites among a spate of rediscoveries.

(...)

In “Verismo,” featuring the Orchestra Sinfonica di Milano Giuseppe Verdi conducted by Marco Armiliato, she concentrates on the “young school” of Italians who followed in the wake of Verdi. Balancing 7 tracks by the grand master Puccini (including a few obvious choices) are 10 thoroughly unfamiliar selections from composers remembered as one-trick ponies. Pietro Mascagni is represented not by “Cavalleria Rusticana” but by “Iris” and “Lodeletta”; Alfredo Catalani, by an aria from “La Wally” but not the familiar one. A risqué showstopper from Riccardo Zandonai’s “Conchita” wins out over his swooning “Francesca da Rimini.” Ruggero Leoncavallo, of “Pagliacci” fame, is heard from in excerpts from his “La Bohème” and from “Zazà.”

(...)

Like much else in Ms. Fleming’s program, this is classic four-hankie material. Fallen women loom large in verismo, and in the minds of many opera fans their music cries out for sobbing, heart-on-sleeve emotionalism. Instead Ms. Fleming ennobles it with her cool classicism, following models both starry and unsung: among them, Gloria Davy, Claudia Muzio, Renata Scotto and Lynne Strow Piccolo.

(...)

Ms. Bartoli conducts her research with a little team of scholars. For “Sacrificium” libraries were combed from Naples to Stockholm, Oxford to Berlin.

“I made my name singing Rossini,” Ms. Bartoli, 43, said recently from Vienna, “and I still sing Rossini. He was a great composer, and his music is great for maintaining the flexibility of the voice. But Rossini came from somewhere. Going backward from Rossini I discovered Mozart and Haydn. From Mozart and Haydn, I came to Gluck and Vivaldi and Salieri. One thing leads to another.”

(...)